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Desconstruindo eventos estruturados

Desconstruindo eventos estruturados

Grande parte das responsabilidades de um líder de comunidade está na promoção dos encontros. Normalmente isso acontece através de redes, mas principalmente através de eventos, como Startup Weekends, Hackathons, Pint of Science, Tedx etc.

Existem muitos formatos de eventos já prontos, que você pode importar a metodologia de quem os pensou e aplicar com uma certa dose de confiança porque o modelo já foi testado e aprovado em outras oportunidades. Isso é ótimo, mas pode gerar um problema para quem não tem experiência na realização de eventos.

Conheço alguns líderes de comunidade que ficam esperando as condições adequadas, como por exemplo, conseguir os patrocinadores ideais, mentores perfeitos, palestrantes superstars e facilitadores experientes e acabam nunca realizando evento algum, porque as exigências são muitas e às vezes desafiadoras.

Na minha vivência em comunidade tivemos algumas experiências interessantes. Por exemplo, quando tentamos organizar um Pint of Science em 2018, descobrimos tardiamente que a data para cadastramento das cidades participantes já havia passado há meses e não conseguiríamos participar naquele ano.

Fiz uma busca e descobri que uma comunidade próxima estava realizando um evento muito semelhante, chamado de Ciência no Boteco, que também não fazia parte do circuito oficial do Pint of Science. Entrei em contato com a organização do Ciência no Boteco e fui até a cidade vizinha no dia do evento para ter a experiência como participante. Adaptamos o modelo e realizamos o nosso, três meses depois, na comunidade local, com um surpreendente sucesso.

Da mesma forma, tivemos dificuldades em realizar a mais recente edição de um Startup Weekend nos moldes propostos pela TechStars, então fizemos uma versão caseira, que não tinha o glamour do nome Google no banner, mas que nos trouxe resultados muito semelhantes aos três eventos oficiais que fizemos com a TechStars.

Algumas vezes, precisamos arriscar e criar algo do zero e não ficar esperando a situação perfeita, com os parceiros perfeitos, no momento ideal para aplicar uma metodologia existente. Somos criativos e capazes de adaptar ideias para nossas realidades. Mesmo que você não tenha experiência alguma em eventos, certamente alguém da sua comunidade terá e esta é a riqueza do trabalho colaborativo.

Aprender fazendo, aprender trocando e aprender errando. Em 2002 eu realizei um dos primeiros eventos de tecnologia na minha cidade e não tive mais do que 15 participantes na plateia. Nunca tinha feito um, mas já tinha participado de vários. Copiei o que era legal, errei em algumas coisas, aprendi com os convidados que vieram participar voluntariamente e não desisti.

Fiz dez edições deste evento anual e, no último, tivemos algumas centenas de participantes, em um calendário de três dias de atividades. Depois, passei a bandeira para frente e o evento continuou sendo realizado pelas mãos de outros membros da comunidade, por mais uns cinco anos, com grande sucesso. O aprendizado com cada erro e acerto me fez ter mais confiança em realizar eventos estruturados ou desconstruídos.

Não espere as condições ideais. Comece pequeno e conserte os erros ao longo do caminho. Lembre-se que o que mais importa é juntar pessoas, promover o choque de ideias e os laços de confiança dentro da comunidade e, às vezes, algo menor e mais íntimo é até mais efetivo do que um mega-evento cheio de atrações e distrações, que não permitem que as pessoas criem laços verdadeiros.

Sucesso ao desconstruir seus eventos. Mas reconstrua-os depois e compartilhe conosco. ;-)

Tribos
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