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Comunidade de Egos

Comunidade de Egos

As comunidades são geradoras de valor para as pessoas, empresas e sociedade. Muitas evidências já foram descritas por artigos aqui na Tribos. Entretanto, é preciso uma análise crítica de uma variável relevante e que se não abordada adequadamente pode levar à morte prematura de comunidades: o egocentrismo.

O egocentrismo, derivada das palavras gregas egó e kentrós, caracterizada-se como um viés cognitivo que leva o indivíduo a priorizar o seu ego em detrimento dos demais, ou seja, é aquele indivíduo que se vê como o centro do mundo e não considera o impacto de suas ações na comunidade que o cerca. 

As comunidades nascentes ou em fase de consolidação dependem, em grande medida, de lideranças capazes de gerenciar e guiar as diversas iniciativas e projetos delineados. Nesse processo, cria se um vínculo profundo, uma espécie de criador e criatura. Contudo, na medida em que a comunidade cresce e se desenvolve, novos atores surgem e demandam maior protagonismo e liberdade de decisão. É nesse momento que o egocentrismo pode aparecer, dando os seus primeiros sinais de interferência na longevidade das comunidades. Essas interferências podem surgir de várias formas como, por exemplo, a restrição da participação no processo decisório, retenção de informações essenciais, resistência à opiniões divergentes, não compartilhamento de contatos valorosos para a iniciativa (networking), entre outros. 

Infelizmente, vivencio de perto como o egocentrismo dirimi a consolidação de comunidades. Líderes-fundadores não permitem que novas pessoas se juntem às comunidades como decisores e executores, permitindo-as apenas o papel de espectadora. Quando novas pessoas decidem por exercer um papel ativo e proativo nas comunidades, elas são rapidamente relegadas pelos fundadores; indicando que apenas a visão deles deve ser a norteadora de toda e qualquer ação idealizada e/ou realizada. 

Nesse sentido, o desenvolvimento de um modelo de gestão inclusivo e a utilização de práticas de governança são importantes passos para evitar que os egos exacerbados contribuam para a morte ou irrelevância de uma comunidade. Para além, as lideranças atuais devem compreender o seu papel no sentido de formar e desenvolver uma nova geração de líderes. Esses novos líderes serão os guardiões e propagadores dos propósitos das comunidades, assim como da história de dedicação e realização daqueles que, lá atrás, propiciaram as bases para o que elas são hoje e serão amanhã. 

Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo - Peter Drucker

 

Tribos
David J. Soares
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Gestor da Informação, especialista em Gestão de Negócios e entusiasta da sinergia entre inovação, tecnologia e negócios.

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